A flor séria

Flores há que são discretas,
Poucas vezes as mais diletas
Nestas paragens tropicais;
A natureza reservada,
Um tanto até envergonhada,
Só têm as flores invernais.

Nenhuma flor que seja austera
Sobrevive na primavera
De gritaria e diversão;
As borboletas não as tocam,
Todas as pragas as sufocam,
E elas murcham em solidão.

Mas esta flor tem a candura
Do passarinho que procura
Os gravetos para o seu ninho.
— Moça! só espero nesta vida,
Em alguma tarde abatida,
Vê-la séria em meu caminho!

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