Que o Papa vá à merda

As recentes declarações do Papa Ratzinger não poderiam ser mais apropriadas. A compreensão da estratégia da Igreja de manutenção do servilismo ideológico a qualquer preço combinam com a aparência cruel e irredutível do ex-inquisidor alçado a Papa.

Servilismo este que depende de uma estrutura que mantenha à todos alheios a si mesmos. Alheios aos seus problemas (e principalmente da solução deles). Em resumo, a desinformação, o obscurantismo e a ignorância SEMPRE foram as ferramentas mais eficazes para a sustentação da propaganda religiosa.

Ao declarar que o uso da camisinha, na verdade, piora o problema, Joseph Ratzinger se vê obrigado a usar dos argumentos mais baixos à disposição. O santo padre avisa que o único meio seguro de se proteger da AIDS e, portanto, evitar sua disseminação, é a abstinência sexual.

Claro! Se a comida em determinado restaurante está podre, deixe de comer. Pena que este é o único restaurante disponível! Mais triste ainda é que bastaria lavar as mãos para estar novamente habilitado às refeições. De agora em diante, se o ar não lhe agrada, deixe de respirar.

A constatação impressionante, entretanto, é que o argumento do santo padre não consegue nem convencer seus padres envolvidos em casos de pedofilia ao redor do mundo.

Qualquer opinão pessoal é defensável como tal. Quando as mesmas declarações atingem status de declaração política, entretanto, deveriam ver-se revestidas de respeito às políticas públicas que procurem, cientificamente, resolver o problema.

Tanta contundência e determinação não são vistas nas palavras do Cardeal Ratzinger ao tratar da tragédia humanitária em Darfur, às guerrilhas de Mogadício.

Talvez porque genocídio, indefinição política e AIDS sejam os parceiros defintivos para a consecução dos objetivos últimos da igreja, dentre os quais não encontro fé legítima.

Texto originalmente publicado em Universo Fer.

Comente

Seu email nunca será publicado ou compartilhado. Campos necessários estão marcados com *

*
*