A tarde da eternidade

Por Felipe Novais

Nestas longas tardes chuvosas,
sem brilho nem cor alguma,
eu sou outra pessoa.
Também os objetos, os animais e as pessoas
são outros.
E os lugares em que estou todos os dias
parecem-me novos.

Como um peregrino num país distante,
passeio por caminhos incertos;
e olhando
até onde a visão permite,
não encontro ninguém.
Se algum pássaro surge no céu,
parece ser uma extensão de mim mesmo.

Com este ar,
sou tomado por uma amnésia embriagante,
e tenho o privilégio
de ser perdoado pelo tempo.

Comente

Seu email nunca será publicado ou compartilhado. Campos necessários estão marcados com *

*
*