Propósitos

Por Fernando Leme

Algumas pessoas vieram para este mundo a passeio. Outras não.

Pense em alguém como o Mick Jagger, não há relatos de que ele tenha sido um aluno estudioso. Logo aos 19 anos ele montou uma banda e até hoje, com mais de 60 e tantos, continua nela, com suas turnês e discos esparsos para não cansar muito. Claro que de vez em quando ele cruza com alguma Luciana Gimenes, mas nada que tire o brilho e o sossego da trajetória.

Já outros vieram com vários objetivos. Lembra-se do Zé Dirceu? Esse é um cara múltiplo. Fez parte da resistência armada à ditadura militar, criou um esquema de suborno para domesticar o Congresso e talvez tenha como maior objetivo hoje matar o Roberto Jeferson.

Que por sua vez veio para cá para nada. Ou melhor, veio para ser gordo e defender o Fernando Collor, já está fazendo hora-extra desde 1992 e ainda arranja um tempo para alimentar instintos primitivos pelo Zé Dirceu.

Outros vieram para a luta. Por mais distintas e apaixonadas que sejam as opiniões sobre o Ernesto Guevara, uma coisa é indiscutível: Ele é icônico, ou foi reduzido a isso. Mas é um emblema, um exemplo de atitude e abnegação, concorde-se ou não com seus objetivos.

Parte do que somos é feita daquilo que a gente escolhe. E como é possível escolher diversos caminhos, o resultado final se dá pela proporção com que dividimos nosso tempo entre uma coisa e outra. Que você prefira uma cerveja a uma rodada de discussões sobre direito tributário, é compreensível. O triste é ficar só no pagodão.

Para fazer estas escolhas você precisa antes tentar adivinhar o que é que você está fazendo aqui. Ou como diria o Saramago: A que vieste? Mas há um fato, assim definido por Ibsen: “Whatever you are, be out and out; not divided or in doubt”.

Resumindo, nem todo passeio é interessante, nem toda luta.

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