Coração doente

Por Felipe Novais

“Aqui, sim, no meu cantinho,

vendo rir-me o candeeiro,

gozo o bem de estar sozinho

e esquecer o mundo inteiro.”

(Castilho.)

Eu dou risada. O tempo todo vemos na TV, na Internet ou em outro meio de comunicação essas “terapias do amor”, do tipo “encontre sua alma gêmea”, “como salvar um casamento” e “347 maneiras de enlouquecer um homem na cama”. Eu rio muito.

Parece que alguns passam a vida toda atrás dessas idiotices e continuam encalhados. Enquanto outros, sem nenhum esforço, não ficam mais de uma semana sozinhos. Interesse, beleza, retórica, dinheiro acabam não fazendo diferença alguma na vida amorosa. Qual é a explicação?

Não há explicação. As coisas não são lógicas.

Não, talvez haja algo que se aproxime de explicação. Eu penso o seguinte: a maioria de nós não consegue enfrentar a solidão. Não há o que censurar, a solidão é muito difícil mesmo. Para Victor Hugo, “a solidão faz homens de talento ou idiotas”, o que um observador atento consegue verificar em seu dia a dia. Assim, com o primeiro sinal da solidão, a pessoa já faz seu cadastro no clube do namoro. E não se sente ridícula.

Mas isso não é de hoje. Alguém se lembra dos “Conselheiros do Amor”, aquelas cartilhas com diversos modelos de cartinhas de amor? Então, quando o rapaz não tinha forças para declarar-se à moça, socorria-se de um desses livrinhos, escolhia um modelo de declaração de amor e endereçava à amada. Pronto. Estava feita a besteira. Em pouco tempo estava casado. E não era bem aquilo que ele queria…

Enfim, isso não é de hoje. Mas nunca foi tão medonho.

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