Sobre anjos e sonhos

Por Fernando Leme

Há pessoas reais. E há sonhos.

Uma delas é um sonho lindo. Incomumente perfeita. De trajetória perfeita, como um círculo.

Chega e se vai sem dar notícias da origem e destino. Vai-se e leva consigo a lembrança do sorriso infantil, da voz de anjo.

Nunca soubre como cresceu, como se tornou o que era, de quem gostou, se sofreu. Não sei.

Deixa na memória a lembrança esmaecida, sons distorcidos, fragilidade imensa.

Meu sonho de perfeição. Claro que só um sonho, cujo maior talento foi manter-se como tal.

Leva consigo meus sonhos, carrega-os com carinho, canta para fazê-los dormir.

Canta.

A franqueza de um vencido

Por Felipe Novais

“Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes, vaidade das vaidades! Tudo é vaidade.” (Eclesiastes 1, 2.)

É antigo o meu gosto pela leitura. Esta, freqüentemente entrecortada por algum devaneio poético, ou qualquer coisa semelhante, preenchia boas horas do meu dia. Eu tinha mesmo a ambição de tornar-me um grande escritor, como o Dante da “Divina comédia”, o Goethe do “Werther”, o Lorca das “Bodas de sangue”.

Desde criança eu tenho uma mania boba de grandeza. Tudo devia ser solene e majestoso. Não me contentava com menos do que um Beethoven, que escutava repetidamente, numa espécie de hipnose heróica.

Eu também jogava bola na rua, brigava na escola e atirava mamonas nos cabelos das meninas. Mas isso tudo ficava em segundo plano. Eu desde lá já era um anormal.

Enfim, eu planejava uma carreira de intelectual festejado.

Mas o que me vejo fazendo hoje? Crônicas! O gênero mais frívolo e irresponsável da literatura. Talvez nem literatura seja, parece mais um desabafo desordenado, entre texto jornalístico e redação de 4ª série.

Crônicas! Que erudito sério algum dia prestou-se a escrever crônicas? E se o fez, certamente não teve o atrevimento de publicá-las. As minhas então são uma tristeza: falta de assunto, falta de inspiração… o que me leva a buscar em escritores de verdade algo que legitime o meu falatório.

Se alguém caiu no meu engodo, peço desculpas. Toda essa demonstração de erudição e cultura (que qualquer macaco de circo pode fazer) nunca passou de expediente funesto para disfarçar a minha falta de conteúdo. Por vaidade.

Propósitos

Por Fernando Leme

Algumas pessoas vieram para este mundo a passeio. Outras não.

Pense em alguém como o Mick Jagger, não há relatos de que ele tenha sido um aluno estudioso. Logo aos 19 anos ele montou uma banda e até hoje, com mais de 60 e tantos, continua nela, com suas turnês e discos esparsos para não cansar muito. Claro que de vez em quando ele cruza com alguma Luciana Gimenes, mas nada que tire o brilho e o sossego da trajetória.

Já outros vieram com vários objetivos. Lembra-se do Zé Dirceu? Esse é um cara múltiplo. Fez parte da resistência armada à ditadura militar, criou um esquema de suborno para domesticar o Congresso e talvez tenha como maior objetivo hoje matar o Roberto Jeferson.

Que por sua vez veio para cá para nada. Ou melhor, veio para ser gordo e defender o Fernando Collor, já está fazendo hora-extra desde 1992 e ainda arranja um tempo para alimentar instintos primitivos pelo Zé Dirceu.

Outros vieram para a luta. Por mais distintas e apaixonadas que sejam as opiniões sobre o Ernesto Guevara, uma coisa é indiscutível: Ele é icônico, ou foi reduzido a isso. Mas é um emblema, um exemplo de atitude e abnegação, concorde-se ou não com seus objetivos.

Parte do que somos é feita daquilo que a gente escolhe. E como é possível escolher diversos caminhos, o resultado final se dá pela proporção com que dividimos nosso tempo entre uma coisa e outra. Que você prefira uma cerveja a uma rodada de discussões sobre direito tributário, é compreensível. O triste é ficar só no pagodão.

Para fazer estas escolhas você precisa antes tentar adivinhar o que é que você está fazendo aqui. Ou como diria o Saramago: A que vieste? Mas há um fato, assim definido por Ibsen: “Whatever you are, be out and out; not divided or in doubt”.

Resumindo, nem todo passeio é interessante, nem toda luta.

Bares subterrâneos

Por Fernando Leme

Uma puta saudade do meu amigo Ricardo…

“…no one told you when to run, you miss the starting gun…”

Muito chato quando alguém tão importante decide se mudar pra Nova Zelândia. Nada que fizesse muita diferença se ele estivesse por aqui. Há outros amigos nesta cidade com importância semelhante. E eu não os vejo nunca.

O chato é não poder. Os demais eu não vejo por que encontro razões. Falta tempo, sempre há alguma coisa esperando desesperadamente para ser resolvida.

O Rico eu não posso. Mesmo que eu abandone todos os meus compromissos, deixe a vida correr, e desencane de todas as obrigações, ele continuará solidamente afastado.

Ele ganhou uma música, obviamente escolhida sem intervenção racional. Retrato de um momento específico.

Estávamos nós, vivendo um momento de rockstar caipira e sem dinheiro (e pra ser sincero, sem público também). Mas havia desde então uma crença na nossa qualidade. Eu era mais pretensioso que ele, que sabia relativizar e usar sua irritante modéstia. Tocávamos num bar escuro e subterrâneo (não é figura de linguagem, é sério), fazíamos o melhor possível pra conseguir algum som. Tocávamos numa banda de rock, semiconvíctos, e começamos a introdução de Time, do Pink Floyd.

A introdução é (como era de se esperar) uma cacofonia de pulsos, guitarras e tambores. Mais um efeito que uma música. Meio que nem a Pamela Anderson, que é um apetrecho, não uma mulher.

Enquanto, distraidamente, me deixei levar pelas circunstâncias acabou a introdução e o Rico começou a cantar. Era aquilo. A música pedia um timbre, uma postura, um ódio, um vermelho. E eles estavam lá.

E eu também estava, mais estupefato que com ódio. Com tranças no cabelo, curtindo minhas férias neste planeta.

Curiosamente a música se chama Time. E eu não gostaria de passar pelas mesmas coisas tantos anos depois. Só anseio a mesma competência: a mesma postura, o mesmo timbre…

É. Os desafinados também têm um coração.

Três visitas

Por Felipe Novais

Esta manhã, um gélido ar trouxe-me à lembrança as cenas desenhadas por Juan Ramón Jiménez no livro “Platero e eu”, onde o autor fala dos dias que passou com seu burrinho Platero em Moguer, uma vila da província andaluza de Huelva. Foi com muito gosto que li, há alguns anos, as historinhas deste livro, tão sentidas, e sempre carregadas de graves valores morais. Uma destas histórias, “A menininha”, termina com a simplicidade comovente deste parágrafo:

“Como Deus cobriu de esplendor e beleza a tarde do enterro! Setembro, rosa e ouro, como neste instante, declinava. Como vibravam os sinos naquele ocaso maravilhoso! Voltei pelo taipal, sozinho e triste, entrei em casa pela porta do cercado e, fugindo do convívio dos homens, encaminhei-me para a estrebaria e sentei-me, a recordar, com Platero…”

Não são histórias infantis, mas foram escritas sob uma inspiração infantil, como “O pequeno príncipe” e “As viagens de Gúliver”. Talvez seja a literatura mais difícil de se dominar.

Mais tarde, comprei o volume “Messidor”, de Guilherme de Almeida, um poeta que eu já conhecia mas de quem o romantismo maduro e contido ainda estou descobrindo. No soneto “Amor, felicidade”, encontramos a resignação de um mestre do verso:

“Infeliz de quem passa pelo mundo

procurando no amor felicidade!

A mais linda ilusão dura um segundo,

e dura a vida inteira uma saudade.”

Ainda na mesma manhã, no ônibus, o celular de alguém tocou, de Mendelssohn, uma das “Canções sem palavras”, aquela mais conhecida, e que é a mais luminosa.

Foi o bastante.

A direita ultra-católica

Por Fernando Leme

O que deu no Diogo Mainardi? Eu me perguntava ontem à noite, depois de ouvir seu último podcast na Veja Online.

Mainardi resolveu tratar daquelas supostas mensagens ocultas na música de massas. Estranho que o assunto não tem nada de novo; eu havia sido exposto ao mesmo nível de estupidez na minha infância protestante no interior de São Paulo, e considerava o assunto parte daquele mundo fantástico e dualista que ignorava a existência de um mercado de massas e de uma cultura empresarial do lucro imediato.

O maior desvio deste raciocínio é pensar que o compositor tem tempo de, simultaneamente às questões puramente técnicas (letra, harmonia, melodia, timbre, arranjo, etc), ficar procurando palíndromos que se encaixem à letra para que sejam descobertos por quem não quer explicar o fenômeno de massas pelas vias do mercado e prefere acreditar em fantasmas. Mesmo que tal atitude fosse possível, seria extremamente improvável que fosse posta em prática por compositores medianos como os usados como exemplo. Acreditar na existência destas mesagens é creditar genialidade demais a gente como Erasmo Carlos, Michael Sulivan e Paulo Massadas, Jessé e Guilherme Arantes

Além disso, vejo com tristeza o fato de que o “direito a informação”, constitucionalmente tutelado, tranforme-se em dever da ignorância. Todas as supostas mensagens exigem um elevado grau de boa vontade para que se acredite nelas, e ainda que algumas de fato ocorram é muito mais fácil atribuí-las ao processo de formação do idioma, que dispõe de um repertório limitado de fonemas para formar um universo aparentemente ilimitado de significantes.

Impressiona a irresponsabilidade do jornalista, que não quer pensar que, se numa sociedade culta ou pelo menos educada sua matéria pode soar como curiosidade, num país de iletrados, expostos a mais vil e medieval pregação religiosa, sua opinião pode suscitar temores gigantescos que aumentam o emparedamento religioso e psicológico.

Pior ainda que o caos religioso é o afastamento da verdade dos fatos. De repente ignora-se a estrutura de divulgação e controle da indústria e crê-se na inevitabilidade do sucesso de poucos. Derivado este de acordos obscuros com forças do além.

Acreditar nisso é dispensar horas de análise da estrutura comercial vigente, que embora dê seus primeiros sinais de esgotamento, ainda tem muito carvão para queimar.

Mais assustador que qualquer palíndromo foi sua apologia ao regime Taleban, que segundo ele, ao banir do Afeganistão qualquer manifestação musical iniciou uma experiência civilizatória que poderia culminar num novo Renascimento! Mainardi porventura considera louváveis também o julgamento sumário e assassinato de opositores, o fundamentalismo, o anti-semitismo, o apedrejamento público de cônjuges infiéis e o cerseamento de direitos das mulheres?

Mainardi se dispôs a citar Flaubert e Michelangelo e questionar quantas músicas teriam eles ouvido no decorrer da vida. Cabe perguntar também quantos emails mandaram, quantos podcasts gravaram, quantas vezes abasteceram o automóvel com bio-diesel e analisar qual destas variáveis mais influi, positiva ou negativamente, no grau de genialidade de sua obra.

O autor conseguiu apenas evidenciar o quanto o raciocínio da extrema direita é perigoso. Escondido sob sua capa de civilzador culto jaz o ditador moral mais vil. O analista de mercado mais ignorante, o fatalista que atribui à poderes mágicos a realidade do sistema, crendo-o imutável e temível.

Depois de caçar bruxas no governo Lula, Mainardi rendeu-se ao misticismo e decidiu procurar bruxas em sentido estrito, ainda que elas não existam.

Amo odiar-te

Por Fernando Leme

Sou fã de Reinaldo Azevedo, tenho seu blog nos meus feeds por que quero acompanhar o desfile de idiossincrasias do jornalista.

Ele escreve muito. Mas calma, estou falando de quantidade. Há situações em que ele ultrapassa o número de atualizações da própria Veja online, o que significa dizer que ele sozinho tem mais vontade de falar do que a editoria inteira da revista.

Mas o que me surpreende mesmo é o quanto ele se esmera em ser original. Mesmo que isto lhe custe credibilidade e coerência. Vamos aos exemplos:

“Ronald Reagan foi muito mais importante para a humanidade — e para a causa da liberdade —do que Jean-Paul Sartre”.
Não meu amigo, a comparação não se aplica. O fundamento do pensamento em Sartre não pode ser colocado na mesma balança que um político mediano com ambições de falácia de ficção científica.

“A democracia no Brasil não morreu em 1964 porque a direita deu um golpe… Um governante responsável não teria promovido, ele próprio, a subversão, como fez João Goulart…”

Ah não? Historiador sui generis este rapaz. Além disso acho engraçado o uso da palavra “subversão”, principalmente neste país. Até onde sei, o governo Goulart, embora inábil politicamente, foi a primeira vez em que se vislumbrou a possibilidade de um contorno da herança histórica deste país. A frustração de Darcy Ribeiro, por ex., era, ao ser derrotado, sentir mais uma vez a vitória de quem ele chamava de elite.

“E foi o mito da “resistência” que levou Dilma, em cujo gabinete se fez um dossiê que desmoraliza a democracia, a fazer o famoso discurso no Senado em resposta ao senador Agripino Maia. Afinal, esse pessoal acha preferível ser herdeiro intelectual de uma ditadura que matou muitos milhões (referindo-se a Stalin) a ser herdeiro de um outra que matou poucas centenas (referindo-se à ditadura militar).”

Depois das ânsias que contive ao ler esta frase só consigo pensar que quero acreditar que vidas e corpos ainda não viraram moeda corrente com que se comparam atrocidades. Em segundo lugar, houve sim uma resistência, Gaspari gasta boa parte de sua obra sobre a ditadura analisando-a. Partindo da sua ótica a anistia foi fruto da criatividade coletiva?

“O número de homicídios caiu fantasticamente em São Paulo, por exemplo, porque é a Polícia do país que mais prende. Menos bandidos na rua, menos mortes. É simples assim no mundo inteiro.”

Sempre quis ser um destes simplistas, e neste quesito não posso deixar de admirá-lo. E é triste ver o cidadão que se diz sempre lógico e cioso das relações de causalidade não pensar que estímulo é esse que se dá ao criminoso em uma política de “tolerância zero”. Talvez o senhor Reinaldo creia que bandidos já nascem bandidos, e por serem bandidos deixaram de ser cidadãos, deixaram de ter direitos, passaram ao estado de coisa, dejeto.

Inúmeras variáveis que operam sobre o que convencionou-se chamar de índices de criminalidade foram violentamente ignoradas. Sugiro a ele algumas horas ao lado de Steven Levitt por que, se leu não gostou, mas se não leu, deveria.

Os anos FHC

Ghostbusters

Por Fernando Leme

Excertos da Folha de S. Paulo

Filho de Hélio Costa é fantasma no Senado

Eugenio Alexandre Tollendal Costa, filho de Hélio Costa, ministro das Comunicações, é funcionário-fantasma no gabinete de um senador em Brasília, informam Andreza Matais e Adriano Ceolin em matéria publicada na Folha.

Segundo a reportagem, Eugênio, que mora em Minas Gerais, está há cinco anos registrado como assistente parlamentar do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) e possui vencimentos mensais de R$ 2.649,46. Tanto o senador quanto vários funcionários de seu gabinete ouvidos pela Folha nunca viram Eugênio por lá.

E…

Ministro confirma que filho era funcionário-fantasma

O ministro Hélio Costa (Comunicações) divulgou ontem nota na qual confirma que seu filho Eugenio Alexandre Tollendal Costa não prestou nenhum serviço ao então senador Duciomar Costa (PTB-PA), prefeito de Belém, nem ao senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA).

Segundo o ministro, Eugenio trabalhou em seu gabinete quando era senador, ele não especificou quando, “para planejar, desenhar e abastecer” sua home page.

Em conversa com a Folha, na quarta-feira, Eugenio disse que não estava lotado no gabinete do pai “por motivos óbvios”. A Folha revelou que, desde 13 de junho de 2003, ele é funcionário-fantasma no gabinete de Ribeiro, que vai exonerá-lo.

Costa disse que Eugenio “foi transferido do seu gabinete para o do senador Duciomar para prestar o mesmo trabalho”, mas o projeto não prosperou. Costa disse que não “tratou mais do assunto” com Duciomar desde que saiu do Senado e que o filho decidiu pedir demissão porque “é um jovem de caráter irreparável”.

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Bom, agora é a minha vez. Primeiro, o “jovem de caráter irreparável” recebia mais de R$ 2.500,00 desde 2003 e pediu demissão só agora?

Segundo, descoberta a falcatrua, quando os responsáveis devolverão o dinheiro recebido sem qualquer prestação de serviço?

Terceiro, quantas vezes isto acontece em todas as esferas administrativas do país? Eu, que tenho experiência pífia neste setor, já presenciei o desrespeito e desinteresse pela coisa pública que este tipo de “funcionário” representa. E mais do que isso, a dignidade dos demais funcionários fica imediatamente comprometida quando se sabe que alguém, geralmente ganhando mais do que você, está lá para nada.

Engraçado que desta vez a “oposição” não está criando caso. Talvez por que a prática esteja tão disseminada que ninguém quer abanar o rabo e expor os fundilhos.

Evangelismo sedento

Por Fernando Leme

A premissa de que o mundo está prestes a acabar é de fato poderosa. Aliada a uma boa dose de presunção torna-se uma arma de intimidação que a humanidade acostumou-se a usar desde sempre.

Me refiro ao evangelismo sedento, desesperado. Me refiro à pregação religiosa mais vil e apressada, que no mundo do email encontrou habitat para textinho vagabundo com erros gramaticais e semânticos.

Qual é o portador de qualquer coisa que vende tão barato seu produto? A lógica da divulgação religiosa  impensada não pode ser outra senão a comercial. O desrespeito evidente pela diferença, a intensidade ameaçadora do discurso e o vazio intelectual surpreendem.

Cruzadistas e jihadistas de fundo de quintal de igreja pentecostal de quinta, dou-lhes uma dica: O Estado brasileiro lhes permite total liberdade religiosa e de culto, de pensamento e fé. Tal liberdade não vos dá o direito, entretanto, de coagir os demais.

A opção sexual, a marca do sabonete, o tipo de molho da lasanha e a religião são decisões da esfera privada que não precisam de publicidade.

Tenho minhas crenças, tenho minha fé, devidamente posta em dúvida e confrontada com a urgência  de existir. Mas você nunca ouvirá delas sem perguntar.

Ou então arranje logo uma espada e umas bombas e vá explodir seus iguais fundamentalistas. Se assuma.